Ouvi na última quarta-feira essa ária com o Musica Angelica e Suzie LeBlanc na Sala São Paulo e fiquei encantada logo de cara. Aqui, com a não menos querida Emma Kirkby:
Sweet bird, that shun’st the noise of folly, Most musical, most melancholy! Thee, chauntress, oft the woods among, I woo to hear thy even-song. Or, missing thee, I walk unseen, On the dry smooth-shaven green, To behold the wand’ring moon Riding near her highest noon.
O andamento é um tanto mais rápido do que estou acostumada, mas vale por ter achado finalmente uma mulher que me agrade cantando essa ária. Ruth Holton, com John Elliot Gardiner e os English Baroque Soloists.
Dizem uns que a versão da Kirkby não tem tanta Gelosia quanto a da Bartoli, bem mais famosa. Eu particularmente acho que esta é a crise de ciúmes de uma mocinha delicada - enquanto a da Cecília B., bom... Heh.
Sooft ich meine Tobackspfeife, Mit gutem Knaster angefüllt, Zur Lust und Zeitvertreib ergreife, So gibt sie mir ein Trauerbild - Und füget diese Lehre bei, Dass ich derselben ähnlich sei.
Die Pfeife pflegt man nicht zu färben, Sie bleibet weiß. Also der Schluss, Dass ich auch dermaleinst im Sterben Dem Leibe nach erblassen muss. Im Grabe wird der Körper auch So schwarz wie sie nach langem Brauch.
Ich kann bei so gestalten Sachen Mir bei dem Toback jederzeit Erbauliche Gedanken machen. Drum schmauch ich voll Zufriedenheit Zu Land, zu Wasser und zu Haus Mein Pfeifchen stets in Andacht aus.
Willst du dein Herz mir schenken, So fang es heimlich an, Dass unser beider Denken Niemand erraten kann. Die Liebe muss bei beiden Allzeit verschwiegen sein, Drum schließ die größten Freuden In deinem Herzen ein.
Zu frei sein, sicher gehen, Hat oft Gefahr gebracht. Man muss sich wohl verstehen, Weil ein falsch Auge wacht. Du musst den Spruch bedenken, Den ich zuvor getan: Willst du dein Herz mir schenken, So fang es heimlich an.
John Dowland (First Book of Songs or Ayres, 1597).
All ye, whom love of fortune hath betray'd; All ye, that dream of bliss but live in grief; All ye, whose hopes are evermore delay'd, All ye, whose sighs or sickness want relief; Lend ears and teares to me, most hapless man, That sings my sorrows like the dying swan.
Care that consumes the heart with inward pain, Pain that presents sad care in outward view, Both tyrant-like enforce me to complain; But still in vain:for none my plaints will rue. Teares, sighs and ceaseles s cries alone i spend: My woe wants comfort , and my sorrow end.
c. 960-1029, atribuída a Fulbert de Chartres. Texto em latim aqui. Tradução de Bruno Gripp:
Que a áurea lira ressoe claras melodias. Que tenha a simples corda uma voz ampla, e que a corda média ressoe seu primeiro som no modo hipodórico.
Ó Rouxinol, que louvemos com voz instrumental, decantando uma melodia dolce, como ensina a música, sem cuja arte de nada valem os cânticos.
Quando na primavera as sementes saem do solo e cobrem-se por todo lado de ramos frondosos, os pastos e exalam um odor suave pela relva florida.
Alegra-se o rouxinol, confiante na doçura da sua voz, e ao abrir as pregas da sua garganta, cantando, emite sons que são indício do tempo estival.
E permanece o canto dia e noite, sob a voz de som adocicado, oferecendo o conforto aos cansados ao afastar o viajante do trabalho, sendo-lhe um belo consolo.
A beleza da sua voz, mais brilhante do que a cítara, vence cantilando todas as hordas de pássaros, enchendo com seus sons as florestas e todos os arbustos.
Voando, passa os picos das altas árvores, tornada vaidosa no verão pela alegria, procura cantar os cantos festivos para as crianças.
Feliz é a época em que uma tal concórdia acontece! Quem dera que desse por doze meses corridos seus órgãos o doce rouxinol !
Ó avezinha pequena, nunca pare de cantar! A música do monocórdio convém à tua melodia, que reforça teus louvores com uma voz diatônica.
Teus sons, não pode imitar a lira e nem sabe copiá-los a flauta de som brilhante, pois produzes uma quantidade imensa de sons melódicos.
Não quero, não quero que pares para descansar, mas que mas dês sons alegres com sua língua por cuja honra serás lembrado nos palácios dos reis.
Dá lugar o passarinheiro cantando nas sombras frondosas, dá lugar o cisne e sua melodia suave e dá lugar tímpano e a sonora flauta.
Ainda que você seja vista como pequena de corpo, ainda assim todos te escutam, e ninguém te ajuda a não sei o rei celeste que tudo governa.
Já lhe demos suficientes e famosas honras, por ser alegre na voz e rítmico nas palavras, honras que se encontram no estudo e no prazer
Já é hora para que nossa voz harmoniosa pare, para que não canse a língua a monotonia dos cantos e faça os ouvidos preguiçosos para o som da lira.
Que o Deus trino em pessoas, único na essência, nos conservem e governe pela sua clemência e nos conceda reinar sobre nós em sua glória. Amém.